quarta-feira, 30 de março de 2016

passado.

deixei as malas no trem,
o beijo- na boca
o riso- no rosto
o choro- engoli
deixei os males no trem,
desci

instabilidade.

eu gosto do torto
do dito pelo não dito
do que não tem conserto
do que não tem mais jeito

sou fragmentada
eu mil partes
em mil cantos
em mil contos
encontrada

sou da estrada
dos bares de esquina
sou do samba
no mais, minha

sou chuva que escorre
transborda em bueiros
nas ruas imundas
me apego ao passageiro

o que é bom
a mim não basta
eu vivo em paz
vivo em desgraça


segunda-feira, 28 de março de 2016

ansiedade

vem sorrateira
te conhece os desejos
os medos
e se embebeda
se deleita enquanto o corrói
te toma o ar
te afoga
te dói
e apesar de tudo
você a alimenta
se compraz da tormenta
a acaricia
se delicia
a cria
e assim ela se faz grande
te engole
e nesse abrigo
você se faz menino
e adormece.

sexta-feira, 25 de março de 2016

sobre ser.

não é fácil ser de lua,
requer um céu inteiro.

emudeço

tão cheio de mim
vazio de mundo
pergunto:
a que vim?

tão cheio de si
caminha imundo
pergunto:
e daí?

tão cheio de vazio
mundo imundo
não pergunto
sigo mudo






sinto muito