sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

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a busca pelo extraordinário é um rio
que deságua no mar ordinário
das coisas ordinárias
comuns
reais

toda experiência tem a
importância que recebe
de quem a concebe

célebre
casebre

a água só mata a sede
de quem a bebe

o riso doído

eu sei que o riso preto incomoda
mas não o riso preto careado
esburacado
mal tratado
drogado
explorado
baleado
violado
estuprado
vazio

incomoda o riso preto estudado
empoderado
despreocupado
boleto pago

o riso preto de aparelho
que não espera sinal vermelho
pra fazer malabares
vender pano
vender espelho

o riso preto que entende
de onde vem essas correntes
que prendiam no passado longe
que prende agora
presente