a busca pelo extraordinário é um rio
que deságua no mar ordinário
das coisas ordinárias
comuns
reais
toda experiência tem a
importância que recebe
de quem a concebe
célebre
casebre
a água só mata a sede
de quem a bebe
Chica Lu
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
o riso doído
eu sei que o riso preto incomoda
mas não o riso preto careado
esburacado
mal tratado
drogado
explorado
baleado
violado
estuprado
vazio
incomoda o riso preto estudado
empoderado
despreocupado
boleto pago
o riso preto de aparelho
que não espera sinal vermelho
pra fazer malabares
vender pano
vender espelho
o riso preto que entende
de onde vem essas correntes
que prendiam no passado longe
que prende agora
presente
mas não o riso preto careado
esburacado
mal tratado
drogado
explorado
baleado
violado
estuprado
vazio
incomoda o riso preto estudado
empoderado
despreocupado
boleto pago
o riso preto de aparelho
que não espera sinal vermelho
pra fazer malabares
vender pano
vender espelho
o riso preto que entende
de onde vem essas correntes
que prendiam no passado longe
que prende agora
presente
domingo, 11 de novembro de 2018
oceânica
o meu peito é morada
onde tudo reside
onde não falta nada
eu sou abrigo do desamor
do desalmado
do dissabor
eu guardo em mim
mágoas
flutuantes
d'água rasa
mergulha em mim
finitos
fins
aflitos
transbordo rios
à bordo
risos
às margens
braços
o infinito fez do meu peito morada
em mim reside tudo
em mim não falta nada
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
quarta-feira, 9 de maio de 2018
sobre aquelas engrenagens
meu pulso
tal qual aquelas peças miúdas
tem seu ritmo sistêmico
guiado por seu papel
marca
passo
marca
texto
marca
passa
meu corpo
tal qual aquelas engrenagens
se encaixa
no seu
passa
entrelaça
entrepernas
entre nós
o relógio parou
nosso tempo passou
mraca
pssao
mcara
txeto
tal qual aquelas peças miúdas
tem seu ritmo sistêmico
guiado por seu papel
marca
passo
marca
texto
marca
passa
meu corpo
tal qual aquelas engrenagens
se encaixa
no seu
passa
entrelaça
entrepernas
entre nós
o relógio parou
nosso tempo passou
mraca
pssao
mcara
txeto
O que a preta leva na lata?
O que a preta leva na lata?
(Ah, que bom que pergunta! Pois se há uma coisa que me impressiona, é o pescoço da preta! Pescoço da preta é pescoço duro, pescoço forte. É que nessa lata, a preta leva segredos do começo, daquele tempo que a gente nem mensura. Dum tempo que ela se ocupava da cria enquanto os provedores saiam pra caça. Será que pesa a distorção da história que a preta leva na lata? Nessa lata, além de segredos dos tempos perdidos, a preta leva história documentada num papel queimado, grilado, armazenado no fundo de arquivos indesejáveis e nossa, eu sei! Esses arquivos pesam. E os sapos que muita gente acha que a preta engole, preta não é maluca, leva os sapos na lata. Os sapos são muitos e pesam. A preta carrega nãos. Carrega desempregos e quando empregada carrega os menores salários. Carrega estupros e a maior porcentagem de feminicídios. Além de tudo a preta ainda carrega a descrença, as desculpas esfarrapadas que não convencem nem quem as pronuncia. Mas o pescoço da preta é duro e a preta acomoda mais essa na lata.)
(A preta leva água pra matar a sede dos seus, diluir os sais que saem dos poros dos seus, hidratar a terra que abriga os seus, lavar os pés exaustos, que não se cansam, dos seus.)
É água. A preta leva água.
Jasmim
São poucas as coisas no mundo
que sem gasto de palavras
muda tudo
mergulha fundo
te leva junto
como a flor de jasmim
São poucas as coisas na vida
que sem data de chegada, ou partida
te transforma e te ilumina
como a flor de jasmim
São poucas as pessoas que existem
que apenas por existirem
se enraizam e te florescem
como a menina Jasmim
que sem gasto de palavras
muda tudo
mergulha fundo
te leva junto
como a flor de jasmim
São poucas as coisas na vida
que sem data de chegada, ou partida
te transforma e te ilumina
como a flor de jasmim
São poucas as pessoas que existem
que apenas por existirem
se enraizam e te florescem
como a menina Jasmim
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